Sinto hoje a mesma emoção, a mesma dor de há trinta anos.
Quando meu filho me avisou, pai, sabe aquela cantora que você gosta? estão dizendo no rádio que ela morreu, o tempo parou por instantes. E o estupor se instalou em mim. Sem querer acreditar busquei comprovação. E comprovado ficou. Meu filho fez 40 anos, portanto, trinta anos é uma vida. Mas parece que foi hoje, daqui a pouco, perto das onze horas desta manhã.
Sempre relaciono Elis e Desgarrados. Desgarrados nasceu há trinta anos, ao contrário da Elis.
E, há trinta anos, eu preparava uma fita para enviar a nossa canção para Elis porque ouvira falar que a estrela, quando vinha a Porto Alegre, gostava de ouvir composições do Mario Barbará. O que se comprova lendo a coluna do Juarez Fonseca em que ele homenageia Elis. Nela, Juarez escreve que hoje, é bem provável que Elis estaria gravando Victor, Nelson, e, entre outros, Mario Barbará.
Nunca imaginei Elis gravando Desgarrados, mas ouvi-la cantando informalmente, como a ouvi cantar Meus olhos na noite em que fizemos uma serenata para nos despedirmos dela, seria a glória.
Se Elis já era o que é ainda hoje, a melhor cantora do Brasil, imagine como a veríamos aos 66 anos?
Impossível. Mesmo sonhando é difícil se saber o patamar artístico de Elis nos dias de hoje. Com certeza, além de uma brilhante carreira internacional, estaria, como sempre fez, descobrindo e lançando novos talentos. E por que não, gaúchos?
Onde estiveres Elis, um beijo. E esta enorme saudade que não se deixa amordaçar.
Elis, 30 anos
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É vero, Napp, a “pimentinha” temperava nossos sonhos e continua fazendo falta na vida da gente.
Parabéns pelos trinta anos de “Desgarrados” que, feito a Elis, também permanece.
Beijo,
Vânia