Era um 13 de dezembro como hoje, uma tarde quente e lânguida de um ano longe, 1981.
Durante a tarde nos preparamos para a grande final. Uma tarde só de expectativas.
Minha primeira vez em Uruguaiana.
Pela primeira vez na casa de dona Olga, avó do Mário, junto com seus pais.
Minha primeira Califórnia da Canção Nativa.
Ao nos dirigirmos para o Cine Teatro Pampa o nervosismo aflora.
Os aplausos, depois da apresentação, falam em esperança. Mas quem pode saber?
Enquanto esperamos, do lado de fora do teatro, em lugar reservado para os compositores, músicos e intérpretes, os comentários são os mais variados.
Ao ser entrevistado por uma rádio local, ouço o Paulo falando: Dizem que a vencedora é a música do Marco Aurélio, Só restou. O que achas?
O que eu poderia achar? A música é bonita mesmo.
O Quinteto Violado encerra sua apresentação e é chegado o grande momento.
Ao anunciarem DESGARRADOS como a vencedora da Calhandra de Ouro, o que é tensão explode em alegria desvairada.
Nunca a Cidade de Lona se mostra tão festiva e amiga. Nunca a comemoração é tanta. Nunca somos tão abraçados. Tão cumprimentados.
No dia seguinte, meio-dia, enquanto o Mário ainda dorme, embarco para Porto Alegre. No meio da viagem a Folha da Tarde já repercute a vitória de Desgarrados.
Logo tomamos conhecimento que o Quinteto Violado irá gravá-la, e é a primeira de mais de quarenta gravações. Quis o destino que esta primeira regravação fosse por um grupo fora do Rio Grande. Desgarrados estava sendo lançada em Pernambuco iniciando sua caminhada pelo Brasil.
Dias depois, fita rolo na mão, procuro o Mauro Borba na Rádio Ipanema. Graças a ele e ao Niuto Fernando, Desgarrados roda na programação normal e diária da Itapema e conquista o Rio Grande.
Em janeiro de 1982 preparo uma fita para enviá-la para a Elis. Não sei se a Pimentinha, em sua ânsia por novidades, tomou contato com a canção ou se a morte chegou primeiro.
Fazem trinta anos e é como se fosse hoje.
Desgarrados
Arquivado em Crônicas
